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Declaração de amor pela aviação!!!

 

Em janeiro de 1946 eu ainda estava no colo de minha mãe, contava apenas 10 meses de vida e fui fazer
 
uma viagem do Rio De Janeiro para Londrina no Paraná...
 
Eu meu pai e minha mãe, meu pai escolheu ir de avião, comprou passagens na Cruzeiro do Sul, falou porem
com o gerente de aeroporto uma semana antes da viagem, perguntando se a surpresa para minha mãe iria se
concretizar? Resposta afirmativa, foi marcada a data da viagem para o dia tal.
( Meu pai era amigo do gerente de aeroporto da Cruzeiro do Sul )
 
Meu pai na época trabalhava no Jornal o Globo e foi com um amigo repórter, apenas para nos fotografar no aeroporto
junto ao avião. Minha mãe estava nervosa com a viagem e o medo normal de andar de avião pela primeira vez.
 
Foi dado o embarque, aquele mesmo portão usado por nós trabalhadores da aviação para alcançar a pista, hangar
Varig, prédios etc... Ta acompanhando meu raciocínio?
( O portão antigo no meio do saguão do Aeroporto Santos Dumont - RJ )
 
Pois é, chegando junto ao avião meu pai disse:
 
- Jofre, pode tirar as fotos agora!
Meu pai conduziu minha mãe, comigo no colo, bem abaixo da cabine de comando, onde se podia ver a
os pilotos e o nome do avião estampado na fuselagem, minha mãe nem tinha prestado atenção ao detalhe.
Depois de algumas fotos tiradas pelo amigo de meu pai, o velho chamou a atenção de minha mãe e mandou
que ela olhasse o prefixo do avião: PP - CDT, minha mãe falou:
- Sim já vi, o que tem isso?
 
Meu pai disse:
 
- Olhe agora mais um pouquinho para cima bem em frente ao nariz do avião e abaixo da cabine de comando,
estava escrito o nome do avião, naquela época todos os aviões eram batizados e o nome do avião era;
 
CORIAMBA  PP - CDT
 
Minha mãe chorou de emoção, pois a mesma pessoa que tinha me batizado na igreja católica, também
havia antes batizado o avião como de costume.
( Graças ao Sr. Leopoldino Amorim - Presidente na época da Cruzeiro do Sul )
 
Tinha alguma coisa comigo? Sim tinha tudo a haver...
Parece que eu ainda neném no colo de minha mãe, antevia o futuro e portanto me esperneava de alegria
e sorria como gente grande, premonição eu diria...
 
( Infelizmente as fotos foram perdidas em um incêndio, quando nós morávamos no Estácio de Sá )
 
Para a alegria de minha mãe, fomos e voltamos no mesmo avião ou seja o PP - CDT.
Sendo tudo uma cortesia do pessoal de trafego da antiga Cruzeiro do Sul.
( Meus agradecimentos ao já falecido, Sr. Ceva e auxiliares )
 
O termpo passou... Fui para o exército, fui promovido, tinha uma carreira a seguir, mas a aviação falava
mais alto em meu coração, pedi minha baixa no exército pois eu queria ser R.O.V ( Rádio operador de vôo ) e tive que
começar fazendo estagio na estação de P.Q.J ( em Santa Tereza - R.J ) como R.O.A - Rádio operador auxiliar.
( Serviço de segurança de vôo )
( Ingressei na Cruzeiro em Agosto de 1967 )
( Para os saudosos, fiz aperfeiçoamento de telegrafista na Escola Edson, na praça Tiradentes ).
 
Como a tecnologia já estava se adiantando um pouco, fui preterido para o vôo como Rádio Operador, eu teria
que esperar que alguma vaga fosse aberta, para poder voar.
Demorou muito e minha ansiedade aumentava a cada dia, então eu pedi ao Diretor de Operações da Cruzeiro
Sr. Araújo ( mais conhecido como Touro Sentado ) que me permitisse voar como comissário.
 
O mesmo pediu-me calma e disse-me que logo - logo teria vagas, mas eu sabia que em breve o cargo de R.O.V
seria extinguido e eu não teria mais chance. Insisti e ele concordou que eu fizesse o curso de comissário.
( Na época o curso era ministrado na Urca - mesmo local da aérofoto, a Varig depois usou este mesmo prédio )
 
Alguns amigos de curso tenho que citar o nome:
 
Romildo - meu compadre, irmão da comissária Guaraciaba ( Ele já falecido )
 
Jurandir Paixão ( Vivo e aposentado da Varig / Aérus )
 
Vera Seta ( Largou o vôo para ser atriz de teatro - última peça recente O Monologo da Vagina )
 
Leda ( cachaça ) uma mulher sensacional, apesar do apelido.
 
Marilia, uma morena de arrasar, morava em Botafogo e era casada com um capitão da marinha.
Uma vez ela falou pra ele que ia comprar cigarros e nunca mais voltou pra casa.
( Fugiu com outro e continuou a voar por mais uns anos )
 
Vou citar a última pois senão o e-mail não irá comportar todos os nomes.
 
Marlene ( lixo ) uma figura super inteligente e intelectual - Fez bem em sair da aviação.
( Foi ser psicóloga )
 
Antigamente a Cruzeiro do Sul também tinha bons baseamentos ( não dava grana + a farra era boa )
Baseamentos em Campo Grande M.S - Manaus A.M - Belém - P.A
 
Certa vez fui render férias por 2 meses em Manaus e qual foi a minha alegria de voar o PP - CDT. ( Coriamba )
Tenho de explicar que nessa época os DC -3 eram todos eles baseados em Belém ou Manaus.
 
Pois os YS-11-A ( Samurai iguais aos da Vasp lembram? ) faziam os vôos pelo sudeste e centro Oeste.
Deixando todo o litoral de Buenos Aires a Belém com os Caravelles.
 
Pois bem... Senti uma emoção danada de voar um avião com meu nome e o mais interessante era que
os antigos tripulantes me chamavam pelo apelido de CDT ou ilha rasa, pois eu piscava muito, principalmente um
comandante que era gente finíssima Comandante Vasconcellos - Buck Jones, alguém lembra dele?
O Comandante Zoroastro deve lembrar do Buck Jones e do DC-3 - PP - CDT
 
Voei muito o Caravelle e em 1973, pedi demissão na Cruzeiro e vim para a Varig, onde voei até 2000.
Tinha ambição de conhecer o mundo e só com a Varig eu realizaria esse sonho!!!
( Tempo bom em que ainda se podia pedir demissão e arrumar outro emprego )
 
Soube algum tempo depois, fazendo um vôo para Manaus, que o avião o PP - CDT tinha sido vendido para
a TABA - Transportes Aéreos da Bacia Amazônica, e depois revendido para uma Compânia de mineração chamada JARI mantendo apenas o prefixo pois era lei e nunca mais soube do Famoso DC - 3 - PP - CDT ( CORIAMBA )
 
Comecei vida nova na Varig... Vida nova mesma, pois comecei voando o avião mais humilde daquela época
o Dart - Herald ( Igual o da Sadia ), depois Avro, Electra, Boeing 727, 737, Coronado, Boeing 707, Boeing - 767
DC - 10 - MD -11 e finalmente as séries dos  Boeing's  ( 747 - 200 )  - ( 747 - 300 ) - ( 747 - 400 ).
 
Antes porém tenho de dizer que em 1972 fiz todos os testes na Varig, passei mas não vim porque eu
iria ganhar menos do que na Cruzeiro, exemplo: Não me recordo qual o nome da moeda.
Na Cruzeiro eu ganhava, vamos supor Cr$ 1.480.00 e o meu salário na Varig seria de CR$ 780.00.
Ou seja, eu perderia em dinheiro quase a metade do meu salário.
 
Um ano depois ainda com uma vontade enorme de voar Internacional, voltei a Varig, falei com o diretor
do serviço de bordo que me olhou e disse:
 
 
-Hum... Você não esteve aqui ano passado, teu nome é... Coriamba!? Tudo bem, eu te aceito, mas em
3 dias você tem que estar demitido na Cruzeiro, com a carteira de trabalho livre, se você não estiver aqui
em 3 dias, não precisa vir mais que eu não vou aceitar!
 
( Obs: O Sr. Sérgio Prates sabia o nome de todos os funcionários )
 
Agradeci, afirmei que estaria e cumpri minha palavra.
Claro que contei com a ajuda enorme de uma grande amiga comissária chamada Ponte.
Maria do Socorro de Freitas Ponte, morena linda, maravilhosa, os homens babavam só de olha-lá.
Pedi a Ponte que fosse comigo falar com o velho Brigadeiro Novaes, lá na Rio Branco, onde era a sede da Cia.
Chegando lá a Ponte pediu para falar com ele, abraçou o velho por trás, fazia carinho no peito do
Brigadeiro e soprava na orelha dele e disse:
 
- Nôno, eu quero que você demita o Rabelo, pois ele vai pra Varig e precisa urgência em ser liberado daqui.
( Se fosse eu pedindo, era bem capaz dele nem me atender )
 
Moral da história, no mesmo dia saí demitido da Cruzeiro e com o bolso cheio da indenização.
( Tudo graças ao charme e o veneno da mulher brasileira, no caso a comissária Ponte ).
 
Voltei a Varig, falei com o Sr. Sérgio Prates, ele me deu as boas vindas e peguei carona no curso de
adaptação dentro do curso de formação de comissários que estava em andamento.
 
Fui da turma da Dalva Martins e outros também amados amigos, ao qual mantenho contato até hoje.
 
Quero dizer com toda essa história, que não sou cria da Varig...
 
Mas sim que fui adotado com um carinho enorme por todos que participaram da minha formação como
profissional nesta empresa, tornando-me mais que filho, um verdadeiro membro da família Variguiana.
 
Hoje tenho um orgulho que posso dizer ser maior que muitos Variguianos de formação, pois eu vim para
a Varig por puro desejo de voar e ganhando menos do que ganhava antes... Isso é amor!!!
 
Hoje agradeço a Varig tudo o que tenho, tanto em bens materias como culturais, pois a vida só se aprende
vivendo e posso dizer que vivi a minha melhor época, tanto em juventude como profissional daquilo
que eu amava fazer... Para mim a Varig será eterna e quando eu falar alguma coisa que contrarie você,
estarei falando da minha família, estarei falando do meu amor!!!  Estarei falando da minha vida!!!
 
Um afetuoso abraço a todos os meus parentes Variguianos.
 
Coriamba Rabelo

 

 

 

 
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